Você já internacionalizou os seus investimentos? Aprenda o porquê de investir no exterior e como começar

Digamos que você seja um extraterrestre, que está chegando ao Planeta Terra e pretende investir em empresas aqui. Você começa a estudar a economia, a política e as empresas dos países.

O Brasil seria um dos países em que você investiria? Ou melhor, as empresas do Brasil seriam as únicas que você gostaria de ser sócio? Pense bem.

Não que as empresas aqui sejam ruins. Claro que não. Apesar de todas as dificuldades políticas, econômicas, tributárias e sociais, o Brasil possui ótimas empresas.

Mas quem não gostaria de estudar e, quem sabe, se tornar sócio de empresas como a Apple, Amazon, Microsoft, Tesla, Netflix, etc.

Muitas das coisas que consumimos, sejam produtos ou serviços, são de empresas de fora. O seu tênis, o seu celular, o seu computador, o seu relógio, até aquela série que você adora ou aquele transporte por aplicativo que você usa, são de empresas multinacionais, que não têm como você ser sócio pela Bolsa de Valores daqui.

Até pouco tempo atrás, a única maneira de se investir em empresas estrangeiras era por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Os BDRs são certificados que representam ações emitidas por empresas em outros países. São negociadas na B3, em Real, e não são ações em si. Você não tem a ação da empresa. Tem esse certificado. Os BDRs possuem pouca liquidez e não existem tantas opções. Alguns exemplos: BDR da Amazon – AMZO34, BDR da Apple – AAPL34.

Mas, atualmente, investir diretamente no exterior é tão simples quanto investir no Brasil. Você abre uma conta numa corretora americana, com a mesma facilidade, ou até mais simples, que abrir uma conta na Rico ou na XP, por exemplo. E envia o dinheiro quase que com a mesma simplicidade e rapidez de se fazer uma TED.

Você já deve estar se perguntando: “Mas eu preciso saber inglês?” Saber inglês sempre precisa, né? Mas não é uma obrigação ser “craque” em inglês para se investir lá fora. Algumas corretoras têm site e atendimento todo em português. Mas um conselho: estude inglês. Isso vai te ajudar muito na vida, não só para investir no exterior.

Mas vamos lá! Se você se interessou até aqui, vou explicar como se operacionaliza isso.

Abrindo conta numa corretora americana

Já existem diversas corretoras americanas que aceitam cadastro de não residentes. Vou citar algumas delas:

Todas elas são registradas na SEC (como se fosse a CVM aqui no Brasil) e são membros da FINRA e da SIPC, uma espécie de FGC, nosso fundo garantidor no Brasil, que protege os clientes em até US$ 500.000,00 (incluindo US$ 250.000,00 para resgates em dinheiro).

Todas são muito fáceis de abrir conta, sendo que as duas últimas possuem site e atendimento todo em português. Hoje eu sou cliente da Passfolio.

Como enviar dinheiro para a corretora

Tanto a Avenue quanto a Passfolio possuem conta num banco aqui no Brasil, que basta você fazer uma TED para eles (em Real), que eles depositam na sua conta na corretora em dólar. Simples e rápido.

Também, você pode usar o Remessa Online. Que é uma corretora de câmbio que faz transferências internacionais. No site deles tem um passo a passo de como utilizar.

Eu uso mais o Remessa, mas os custos são bem parecidos. Então, você pode usar qualquer uma das possibilidades.

Para trazer o dinheiro de volta, pode-se usar o Remessa Online ou sacar, via TED, diretamente do site da Passfolio (não sei o procedimento nas outras corretoras) para a sua conta no Brasil.

E a tributação?

Os impostos sobre investimentos no exterior se resumem a taxação dos dividendos e ganho de capital.

No caso dos dividendos, os impostos são recolhidos por meio do carnê leão. Na prática, você, provavelmente, não precisará recolher nada. Pois a grande maioria dos dividendos já são taxados na fonte com a alíquota de 30%, e o limite de isenção do carnê leão é de 1900 reais mensais. Então, você só deverá recolher DARF, no carnê leão, se receber dividendos acima de R$ 1.900,00 e a tributação na fonte for menor que a faixa do carnê leão (a segunda variável dificilmente ocorre, por já ser taxado na fonte com a alíquota de 30%).

Sobre o ganho de capital (venda das ações com lucro), deve-se recolher um DARF (código 0190) sempre que a venda de ativos ultrapassar os R$ 35 mil (limite de isenção) e tiver lucro. A alíquota é de 15% sobre o lucro.

Além disso, é necessário declarar esses investimentos, anualmente, na declaração de imposto de renda na aba bens e direitos, sempre pelo custo de aquisição.

A Passfolio (e sei que a Avenue, também) fornece relatórios e materiais explicativos, que auxiliam no imposto de renda. Não tem dificuldade não.

Já sei abrir a conta, enviar o dinheiro e cuidar dos impostos. Mas como escolher e analisar quais empresas investir?

“Adoro esse sanduíche do McDonalds, acho que vou comprar ações deles”. “Essa série da Netflix é ótima, vou entrar no site da corretora e comprar umas ações”. É assim que se escolhe quais empresas investir? Claro que não! Por mais que você admire a empresa e ache que ela é boa, deve-se estudá-la e analisar se tem bons fundamentos que valem à pena para ser sócio.

A análise de boas stocks (ações em inglês) para investir é praticamente a mesma para escolher ações no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, e você pode fazê-la de maneira simples (Como analisar ações para investir de maneira simples).

Deve-se olhar a evolução da receita líquida (net revenue), do EBITDA, olhar os dívidas (debt) e a relação dela com o EBITDA (net debt/EBITDA) e, principalmente, olhar a evolução do lucro líquido (net income) e/ou do lucro por ação (earnings per share – EPS) ao longo dos anos.

Alguns sites que facilitam essa análise:

Os dois primeiros são em inglês. O Bastter.com é um site brasileiro, mas a parte de stocks e REITs (equivalente a nossos fundos imobiliários) é em inglês. Mas nada muito complicado, e a visualização em gráficos facilita bastante.


Simplifiquem os estudos e, o mais importante, diversifiquem. É muito importante diversificar com o mercado internacional, também. Além de ter acesso às melhores empresas do mundo, não fica preso apenas ao mercado brasileiro (com nossos problemas econômicos e políticos) e investe em moeda forte (dólar).

Mas antes de ir para o mercado de ações americano, você deve, primeiro, se “acostumar” com o mercado de renda variável local. Se você já investe há algum tempo e já se adaptou ao sobe e desce dos preços das ações, aí sim já deve pensar em diversificar lá fora. Se ainda tem dificuldades em investir em ações no Brasil e fica tenso com a volatilidade do mercado, esqueça investir lá fora, por enquanto.

Controle o seu emocional e se habitue às variações da renda variável das suas ações no Brasil, para depois partir para o exterior.

Diversifique, invista em empresas globais e sejaricovctb!


Dúvidas ou comentários? Escreva abaixo que responderei.

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