O que eu sei e o que eu penso sobre Bitcoin. Ah! E porque eu comprei

O conteúdo desse artigo não contém qualquer indicação de negociação de criptomoedas. São apenas opiniões do autor

Em 2017 numa conversa com um grupo de amigos, vem à tona o assunto Bitcoin (BTC). Um desses amigos já investia e conhecia do assunto há algum tempo: “é a moeda do futuro”; “a tecnologia do blockchain (a tecnologia usada para, entre outras coisas, transações com BTC) é disruptiva e veio para revolucionar a maneira de se fazer registros e transações na internet”…

Em alguns minutos de conversa, me convenceu a comprar.

Abri minha conta numa exchange (corretora que negocia criptomoedas) e fiz a minha primeira, e única, compra de BTC. Na época, 1 BTC custava em torno de R$ 15 mil.

“Como assim? Sem se aprofundar no assunto, você investiu nisso?”

Sim!

Mais na frente, nesse artigo, você vai descobrir porque eu fiz isso. Não foi (totalmente) loucura.

Vamos lá!

Em primeiro lugar, você sabe o que é Bitcoin?

Criptomoedas em geral, mas principalmente BTC, são os “investimentos” da moda, atualmente. Todo mundo quer saber. Todo mundo quer estudar. Todo mundo quer comprar. As diversas altas nos preços chamaram a atenção de muita gente.

Vejamos o que o Wikipédia nos diz sobre Bitcoin:

“Bitcoin (BTC) é uma criptomoeda descentralizada, sendo um dinheiro eletrônico para transações ponto-a-ponto. É considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, constituindo um sistema econômico alternativo, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre.

O Bitcoin permite transações financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nodos) da rede, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain, uma rede descentralizada, isto é, uma estrutura sem uma entidade administradora central, o que torna inviável qualquer autoridade financeira ou governamental manipular a emissão e o valor da criptomoeda ou induzir a inflação com a produção de mais dinheiro. No entanto, grandes movimentos especulativos de oferta e demanda influenciam na oscilação de seu valor no mercado de câmbio, sendo definido livremente durante as 24 horas do dia.

No âmbito financeiro e contabilístico internacional, semelhante ao ouro, o Bitcoin pode ser enquadrado em alguns termos: ativo especulativo (bem material), dinheiro commodity (mercadoria), unidade de conta (bem de troca) – por ser empregado como meio de troca e por possuir uma escassez relativa além de cotação própria – que agregada à abreviatura XBT tenta enquadrar-se na ISO 4217, código que representa moedas correntes.”

Essa é a definição do Wikipédia e, também, era mais ou menos o que eu sabia sobre BTC lá atras, em 2017, quando fiz a compra. E, até hoje, nunca me aprofundei tanto no assunto.

“Como assim? Comprou sem se aprofundar no assunto?” Sim!

Não estou dizendo que isso foi o certo a se fazer. Talvez, se fosse hoje, teria lido e estudado um pouco mais. Mas não tanto.

Afinal, a decisão de comprar era muito mais fácil a R$ 15 mil do que a R$ 300 mil, como era mais fácil a R$ 1 mil do que a R$ 15 mil.

Entretanto, BTC não é como ações que você estuda a empresa, observa se tem lucros consistentes, se gera caixa, se não está com dívida descontrolada, etc. e daí decide se vale a pena ou não investir naquela empresa.

Bitcoin não é um ativo real e não tem nada disso.

Como uma moeda que é, é mais parecido com dólar ou euro, por exemplo, e entra mais no conceito de reserva de valor do que de investimentos. Não dá para estudar e estimar se BTC “presta” ou não. Se será uma moeda viável ou não.

Isso, só saberemos no futuro.

E passar horas e horas, meses e meses, estudando sobre o assunto, não me ajudaria a “investir” com mais segurança e comprar uma quantidade maior, ou menor.

Nesse tipo de “investimento” eu gosto de aplicar uma outra teoria: a teoria do risco x retorno.

O que eu posso perder? Todo o valor que investi. Ok! Então o valor que não me fará falta e que posso investir dentro desse conceito será “x”. O que eu posso ganhar? Não tenho a mínima ideia de quanto isso pode atingir, do que será dessa moeda no futuro e do quanto isso me será útil.

Nassim Taleb inventou um nome bonito para esse conceito: convexidade. Um investimento se diz convexo quando possui uma assimetria favorável, com ganhos potencias ilimitados e perdas limitadas.

Então, aplicando esse conceito, fui lá e comprei. Não pensei muito, não fiquei medroso, não me preocupei. Já sabia o quanto poderia perder, mas não sabia (e continuo sem saber) o quanto poderia ganhar.

Além disso, apliquei outra máxima que eu sempre uso em tudo que invisto: diversificação. Além do BTC comprei um pouco de Ethereum (ETH), Litecoin (LTC) e Ripple (XRP). Nessas outras criptos investi bem menos.

Hoje, minha carteira de criptos, é de mais de 80% de BTC, 10% de ETH e o restante de LTC e XRP (Ah! Das outras criptos eu entendo menos ainda).

Outro ponto muito importante a se atentar e que enche os olhos de muita gente; Não caia em conversas do tipo: “O valor do BTC pode atingir não sei quantos quintilhões em 20xx”. É tudo blá, blá blá.

Por favor, não invista em nada apoiado em previsões de valor de ativos cujos preços são variáveis. Pode atingir tal valor? Não sei. Talvez sim, talvez não. Não me interessa. O que eu sei é que quem faz esse tipo de “previsão” só quer a sua atenção e/ou o seu dinheiro.

Tem mais um outro ponto que aí sim exige a sua atenção e tem que estudar, antes mesmo de comprar. Que é como armazenar essas criptomoedas. Esse é, sem dúvidas, o ponto mais importante que você precisa saber. É fácil você perder os seus BTCs se não souber como armazenar. Na internet há diversos artigos e videos confiáveis sobre isso.

E o que penso do futuro dessa moeda?

O Bitcoin foi criado para ser uma moeda descentralizada, sem estar ligada a nenhum Banco Central, sem dono e de uso universal. Tem o objetivo de ser a moeda mais democrática que existe. Além disso tem escassez relativa, ou seja, não pode ser impressa livremente, à vontade dos Bancos Centrais.

A rede criadora do Bitcoin é pré-programada para produzir apenas 21 milhões de BTC. Mas cada BTC pode ser dividido em 100 milhões de unidades, ou seja, pode-se negociar 0,00000001 BTC. Por isso, diz-se escassez relativa.

Mas será que o BTC já dá para ser usado como moeda de troca?

Imagine que hoje você quer comprar um carro e o vendedor lhe dê a opção de pagar R$ 100 mil ou 0,5 BTC (usando um preço imaginário de 1 BTC = R$ 200 mil). Você iria querer pagar em BTC?

Seu 0,5 BTC que custa R$ 100 mil hoje, pode custar R$ 150 mil, R$ 200 mil amanhã.

E do lado do vendedor? Leva 0,5 BTC que amanhã pode custar R$ 50 mil.

Dá para usar isso como meio de troca atualmente? Com essa volatilidade? A resposta é não!

Antes de ser um meio de troca aceito universalmente e se popularizar como moeda, e não como “investimento”, ela precisa, antes de tudo, ter segurança de valor e ser menos volátil.

E esse é só um ponto. Talvez, um dos principais.

Depois, ainda precisa de uma quebra de braço com os Bancos Centrais, que não querem perder o controle sobre as moedas, precisa ter mais segurança no armazenamento, ser aceito em diversos lugares, etc.

Por enquanto, essa “moeda” é só uma tecnologia bastante promissora, com boas intenções, que se popularizou, principalmente como meio especulativo e que tem um caminho muito longo a percorrer para se transformar, realmente, numa moeda e um meio de troca.

Ah! E pode não dar em nada também e ser uma “bolha”.

O futuro do BTC e das outras criptomoedas ninguém sabe e ninguém tem como prever. Sei que tem um monte de “analistas” por aí falando de diversos preços-alvos, que chamam a atenção de muita gente, assim como existem tantos outros chamando de “bolha”

Quem está certo? Só o futuro dirá!


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